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O Pavilhão leopoldinense
uma pequena história da bandeira da imperatriz
 
 
 
 
se as outras escolas têm símbolos, a imperatriz tem heráldica. não que a aGremiação de Ramos queira abafar ninguém. e sim porque a arte dos brasões da nobreza tem tudo a ver com ramos: a coroa, o dourado, o nome e os enredos histÓricos lembram reis, rainhas e imperadores.
 

A heráldica da Imperatriz, no entanto, não é convencional. Primeiro porque não se manifesta em brasões: o imaginário da nobreza leopoldinense está, entre outras coisas, em alegorias, fantasias e, obviamente, na bandeira. Segundo, porque o objetivo não é excluir ninguém. Duvida? Então diga que outra escola é tão inclusiva como a verde-e- branco, que tem em sua bandeira 11 bairros, representados por estrelas, sendo a maior Ramos: Triagem, Manguinhos, Bonsucesso, Olaria, Penha, Penha Circular, Brás de Pina, Cordovil, Parada de Lucas e Vigário Geral.

A história da peça mais importante da heráldica leopoldinense começa em 1959, quando a escola nasceu. Ao incluir as estrelas, os fundadores queriam que a Imperatriz representasse toda a Zona da Leopoldina. As cores verde e branco foram uma homenagem ao Império Serrano, a madrinha. Sob a presidência de Antônio Carbonelli, em 1966, o dourado é acrescentado às cores oficiais. E a coroa é uma referência à do Primeiro Reinado, desenhada por Debret e que simboliza o período em que Leopoldina foi imperatriz do Brasil.

Essas características originais se mantêm até hoje. Mas o símbolo maior passou por mudanças. Para se ter uma idéia, a primeira bandeira, com formato sugerido por Agenor Gomes Pereira, já era dividida em diagonal, mas uma parte era em verde; a outra, em branco. Essa configuração caiu em desuso na década de 1970. Por outro lado, uma estrela adicional foi acrescentada junto ao "E" do "GRES" (Grêmio Recreativo Escola de Samba), dentro da faixa diagonal, em comemoração ao título no Grupo 3 em 1961.

O acervo fotográfico da escola revela que, além da oficial, havia uma segunda bandeira, confeccionada a cada ano. Numa imagem de 1974 aparece uma que não era descrita no estatuto, mas se parece com a atual. Daí é possível concluir que uma dessas segundas bandeiras acabou se firmando e tomando o lugar da oficial.

 

Marcelo de Mello
Jornal O Globo.

 
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